Ressonância quebrada há meses na Policlínica do Baixo Sul expõe descaso com pacientes do SUS
- 13 de jan.
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A Policlínica Regional do Baixo Sul, localizada em Valença, foi concebida para ser uma Unidade Especializada de Apoio Diagnóstico, com o objetivo de ampliar o acesso da população a consultas especializadas e exames de média complexidade, oferecendo atendimento humanizado e reduzindo o histórico gargalo da saúde pública na região.
Atendendo pacientes de 14 municípios consorciados — Cairu, Camamu, Gandu, Igrapiúna, Itaparica, Ituberá, Nilo Peçanha, Nova Ibiá, Piraí do Norte, Taperoá, Teolândia, Valença e Wenceslau Guimarães — a Policlínica deveria funcionar como um pilar estratégico do SUS regional, fortalecendo o cuidado integral por meio de uma equipe multiprofissional qualificada.
A unidade dispõe, em tese, de diversas especialidades médicas, como cardiologia, neurologia, ortopedia, ginecologia/obstetrícia, oftalmologia, urologia, endocrinologia, entre outras, além de exames de alta relevância diagnóstica, incluindo ressonância magnética, tomografia, mamografia, ultrassonografia com doppler, endoscopia, colonoscopia, ecocardiograma e muitos outros.
No entanto, a realidade enfrentada pelos pacientes está muito distante do que consta nos discursos oficiais.
Longas filas, espera excessiva e denúncias de favorecimento
Relatos recorrentes de usuários do sistema apontam para meses — e em alguns casos mais de um ano — de espera por exames essenciais. Pacientes descrevem a situação como sofrimento, palavra dura, porém compatível com a angústia de quem depende de um diagnóstico para dar continuidade ao tratamento.
Além da demora, surgem denúncias frequentes de práticas que ferem o princípio da equidade no SUS: o conhecido “jeitinho”, onde pedidos políticos supostamente antecipam atendimentos, enquanto a maioria aguarda indefinidamente na fila. “Fale com tal vereador”, “procure fulano” — expressões que não deveriam fazer parte do acesso à saúde pública, mas que, segundo pacientes, ainda fazem parte da realidade.
Aparelho de ressonância parado há meses
Uma das situações mais graves relatadas diz respeito ao aparelho de ressonância magnética da Policlínica, que estaria quebrado há meses — alguns pacientes afirmam que o equipamento não funciona há quase um ano. Trata-se de um exame fundamental, de alto custo na rede privada, podendo chegar a até R$ 2 mil, valor inacessível para a maioria da população que depende exclusivamente do SUS.
De nada adianta possuir equipamentos
modernos se eles permanecem inoperantes, enquanto pacientes acumulam dores, incertezas e agravamento de doenças.
Onde estão os responsáveis?
Diante desse cenário, surgem questionamentos inevitáveis:
Onde está o Governo do Estado da Bahia?
A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) tem conhecimento da situação?
Existe fiscalização efetiva do funcionamento da Policlínica?
E as 14 prefeituras consorciadas — prefeitos e prefeitas — consideram esse modelo como “cuidado com a saúde de qualidade” para seus munícipes?
A Policlínica Regional do Baixo Sul é gerida pelo Consórcio Público Interfederativo de Saúde da Região do Baixo Sul (CISBS), cuja diretoria atual é composta por:
Presidente: Rosa Baitinga prefeita de Teolândia
Vice-Presidente: Jacqueline Soares prefeita de Nilo Peçanha
A nova diretoria assumiu em abril de 2025, o que reforça ainda mais a necessidade de respostas claras e providências concretas.
Saúde não pode ser palanque
A sensação que fica para a população é que, muitas vezes, a Policlínica é mais utilizada como vitrine política do que como instrumento efetivo de cuidado com a vida. Em ano eleitoral, discursos se intensificam, promessas reaparecem e, não raramente, surgem notas oficiais tentando explicar o que, para quem sofre na fila, parece inexplicável.
Fica aqui a reflexão — e a cobrança legítima da sociedade:
equipamento parado, fila crescente e sofrimento humano não podem ser tratados como algo normal.










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