top of page

Entre a saúde e a segurança: presenças que falam, ausências que gritam

  • edmaisfmsite
  • 2 de out. de 2025
  • 2 min de leitura



Na última terça-feira (30), a Santa Casa de Misericórdia de Valença celebrou seus 165 anos de fundação com a entrega de uma obra aguardada: a ampliação do Pronto-Socorro. O espaço modernizado é resultado de um esforço coletivo que envolveu a parceria da Faculdade Atenas e a destinação de emendas parlamentares, reforçando o compromisso com a saúde pública regional.


Apesar da relevância histórica e social do momento — afinal, trata-se da principal instituição hospitalar da região do Baixo Sul —, o evento foi marcado por uma ausência notável: a de prefeitos e prefeitas dos municípios vizinhos. Entre tantos assentos vazios, a exceção foi o prefeito de Cairu, Hildécio Meireles, que compareceu acompanhado de lideranças locais. O prefeito de Valença, Marcos Medrado, enviou apenas a secretária de Saúde para representá-lo.


Dois dias depois, no entanto, o cenário foi outro. A cerimônia de instalação do 31º Batalhão da Polícia Militar, em Valença, reuniu uma expressiva presença de gestores municipais e autoridades políticas. A solenidade, que marcou a transição da antiga 33ª Companhia Independente para o novo batalhão, ganhou peso político e social, revelando o prestígio da corporação junto às lideranças locais.


A comparação inevitável expõe um contraste que incomoda: enquanto a segurança pública atraiu o olhar atento e o prestígio de prefeitos e prefeitas, a saúde — representada pela Santa Casa, que há mais de um século e meio salva vidas e acolhe milhares de pessoas — acabou relegada a um plano secundário.


Não se trata de negar a importância da Polícia Militar e do novo batalhão para a região, mas sim de refletir sobre o peso simbólico dessas presenças e ausências. Se na saúde o silêncio das autoridades soa como descaso, na segurança o movimento em massa revela que a política, ainda que negada, se mostra escancarada.


Em tempos em que discursos oficiais falam em união, compromisso e prioridade para a população, os dois eventos — realizados com apenas um dia de diferença — evidenciam escolhas. Escolhas que dizem muito sobre onde está o real interesse político.


No fim das contas, entre a saúde e a segurança, quem perde é o povo.

 
 
 

Comentários


bottom of page