Cobrança da TUPA em Boipeba gera debate: vereador Igor Gomes alerta sobre custos e destino dos recursos
- edmaisfmsite
- 11 de nov. de 2025
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Durante a última sessão da Câmara Municipal de Cairu, o vereador Igor Gomes levantou pontos importantes sobre a possível implantação da Taxa de Uso do Patrimônio do Arquipélago (TUPA) na ilha de Boipeba. O tema, que tem gerado ampla discussão entre moradores, empresários e visitantes, envolve questões de sustentabilidade, transparência e viabilidade econômica.
Segundo o parlamentar, Boipeba recebe entre 28 e 30 mil visitantes por ano, número bem inferior ao de Morro de São Paulo, que contabiliza cerca de 250 mil turistas anualmente. Ainda assim, aproximadamente 120 mil pessoas fazem passeios diários de Morro até Boipeba, onde almoçam e consomem produtos locais — o que, consequentemente, aumenta a geração de lixo na ilha.
O vereador destacou que a continuidade da cobrança da TUPA, como já ocorre em Morro de São Paulo, poderia garantir recursos para o manejo e transporte do lixo, que representa um dos maiores desafios da gestão ambiental no arquipélago. No entanto, ele chamou atenção para o alto custo operacional da proposta.
De acordo com Igor Gomes, seriam necessários entre 10 e 15 funcionários para manter o serviço, o que geraria um custo anual estimado em R$ 700 mil, considerando que cada funcionário teria um salário médio de R$ 4 mil. Já a cobrança de uma taxa em torno de R$ 60 por visitante poderia arrecadar entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão por ano — sendo metade desse valor consumido apenas com folha de pagamento.
“Vale a pena?”, questionou o edil. Ele alertou ainda para o risco de evasão da taxa, já que o acesso à ilha pode ocorrer por diferentes pontos, o que facilitaria a entrada sem pagamento.
Igor Gomes também ponderou que, como não há cobrança de taxa de lixo aos moradores — uma vez que a legislação federal prevê que o maior gerador deve ser o turista —, é preciso ter cuidado para não transformar a TUPA em mais um peso tributário sobre os comerciantes locais.
O vereador ressaltou que, caso a cobrança seja implementada, os recursos deveriam ser destinados não apenas à manutenção ambiental, mas também a investimentos culturais e estruturais na ilha. Como exemplo, ele citou o Festival Conect Boipeba, evento que não ocorreu neste ano e cuja ausência foi sentida pela comunidade.
“Eventos como o Conect Boipeba valorizam a cultura, atraem visitantes e movimentam a economia local. Se a taxa for cobrada, que ela sirva para isso também”, destacou o parlamentar.
Ele lembrou que o festival de Morro de São Paulo, atualmente financiado pela iniciativa privada e pelo programa FazCultura, já foi mantido com recursos públicos provenientes da TUPA. “Por que o Morro tem e Boipeba não?”, questionou.
Em tom propositivo, Igor Gomes finalizou dizendo que é favorável a medidas que fortaleçam o turismo sustentável e melhorem a infraestrutura de Boipeba, desde que haja transparência e retorno real à população.
“Se for para cobrar, que seja para potencializar o que temos de melhor: nossa cultura, nosso povo e a beleza da nossa ilha”, concluiu.











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