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Centro de Cultura Olivia Barradas: o abandono como política do esquecimento

  • 9 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de jan.


O que nasceu como símbolo de encanto, progresso e valorização cultural para Valença, na década de 1980, hoje resiste apenas como retrato do abandono. Inaugurado em 1986, o Centro de Cultura Olivia Barradas, que já foi palco de grandes espetáculos e momentos inesquecíveis para gerações de valencianos, vive atualmente uma situação de completa penúria.


O espaço que um dia abrigou dança, teatro, música e artes visuais encontra-se tomado pelo mato, pela deterioração estrutural e pelo descaso. Equipamentos básicos, como o sistema de ar-condicionado, estão quebrados há anos. A área externa, antes cenário de encanto e convivência cultural, hoje se transformou em um espetáculo deprimente de abandono, com mau cheiro, fezes de pombos e degradação visível, refletindo o total desprezo pelo patrimônio público.


No início do atual governo estadual, foram feitas promessas de uma reforma completa. Placas chegaram a ser instaladas, valores anunciados, expectativas criadas. No entanto, como tantas outras promessas feitas à cidade, tudo ficou apenas no papel. O que se vê hoje é o silêncio do poder público e a permanência de um equipamento cultural estratégico entregue ao tempo e ao esquecimento.


É impossível não relacionar esse abandono à triste tradição de Valença em apagar a própria história pela falta de preservação. O que veio depois da nossa memória coletiva parece seguir o mesmo caminho da decadência. Mais doloroso ainda é ouvir discursos oficiais que insistem em afirmar que “a cultura de Valença está viva”, enquanto seus principais espaços culturais agonizam diante dos olhos da população.


Falo como cidadão que viveu momentos memoráveis naquele palco. A Orquestra Sinfônica da Bahia, por exemplo, protagonizou um dos maiores espetáculos já vistos na cidade. Hoje, aquele momento soa como uma despedida simbólica de tudo o que jamais deveríamos ter permitido desaparecer.


Fica aqui um apelo direto e público à Secretaria de Cultura do Estado, à nova gestão municipal, ao Conselho Municipal de Cultura e, sobretudo, ao Governo da Bahia: recuperem e modernizem o Centro de Cultura Olivia Barradas. Não se trata apenas de concreto, paredes ou equipamentos, mas de memória, identidade e respeito à população.


Em Valença, discursos de amor à cidade costumam surgir com força em períodos eleitorais. Mas, diante da realidade, fica a pergunta inevitável: se isso é amor, como seria o ódio? Resta-nos lembrar a trilha sonora que embalou a inauguração do Centro de Cultura, nos anos 80. “Tempo Perdido ”, de Renato Russo, parece ter anunciado com precisão a triste realidade que hoje vivemos.


Valença sendo Valença.

E isso, infelizmente, é muito triste.






 
 
 

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