Cairu lidera IFDM no Baixo Sul, mas segue classificado em “baixo desenvolvimento”
- edmaisfmsite
- 19 de set. de 2025
- 2 min de leitura

O município-arquipélago de Cairu apareceu na liderança regional do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) 2025, com nota em torno de 0,56. O resultado foi comemorado em páginas oficiais e replicado em sites locais, que destacaram o feito como sinal de avanço socioeconômico. No entanto, uma análise mais detida dos números revela um quadro menos triunfalista: a cidade está apenas na faixa de “baixo desenvolvimento”, segundo a própria metodologia da Firjan.
Dados oficiais x divulgação local
O levantamento da Firjan, baseado em dados de 2023, coloca Cairu com IFDM entre 0,5624 e 0,5784, dependendo da base consultada. A discrepância entre valores divulgados pela prefeitura e portais noticiosos chama atenção e merece verificação. O índice, vale lembrar, varia de 0 a 1, sendo que municípios acima de 0,8 são classificados como de alto desenvolvimento. Ou seja, mesmo ocupando a liderança no Baixo Sul, Cairu está distante dos melhores padrões nacionais.
Liderança regional não significa excelência
Sites locais repercutiram a notícia com tom de vitória, mas o contexto regional mostra que a posição de Cairu decorre, sobretudo, da fragilidade dos vizinhos. Municípios como Gandu (0,5270), Valença (0,4890) e Camamu (0,4723) ficaram abaixo da média já modesta de Cairu, reforçando o diagnóstico de que o Baixo Sul enfrenta sérios gargalos em saúde, educação e emprego.
Subíndices revelam lacunas
O IFDM é composto por três dimensões: Educação, Saúde e Emprego & Renda. A pontuação agregada pode esconder desigualdades internas. Em Cairu, por exemplo, a área de educação apresenta avanços mais visíveis, mas o desempenho em emprego formal e renda é comprometido pela forte sazonalidade do turismo e pela dependência de atividades informais. Sem diversificação econômica, o município permanece vulnerável.
Transparência e responsabilidade
A insistência em divulgar apenas a “melhor posição” no Baixo Sul, sem explicar que Cairu está no nível de baixo desenvolvimento, pode induzir a população ao erro e servir mais a interesses de propaganda institucional do que ao debate público. É papel do jornalismo investigar essas discrepâncias e expor o retrato real, permitindo que moradores cobrem políticas mais eficazes.
Especialistas alertam
Economistas e pesquisadores de desenvolvimento regional lembram que o IFDM deve ser lido em perspectiva histórica e comparada. Liderar uma região fragilizada não equivale a atingir padrões satisfatórios de bem-estar. “É como ser o menos doente em uma enfermaria lotada”, compara um especialista ouvido pela reportagem. “A liderança regional não deve esconder que todos os municípios ainda estão longe do patamar desejável”.











Comentários