A sensação de insegurança voltou: até quando Valença vai tratar o anormal como rotina?
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Em um passado não muito distante, chamamos a atenção para o crescimento do número de dependentes químicos ocupando espaços públicos, para o aumento dos furtos e roubos a residências, estabelecimentos comerciais e prédios públicos. Na época, o alerta era justamente para que esses episódios não se tornassem parte da rotina da cidade. Hoje, infelizmente, os fatos mostram que a preocupação fazia sentido.
Um dos casos mais emblemáticos aconteceu na Casa dos Conselhos da Educação, localizada em plena região central de Valença, em uma das vias mais movimentadas da cidade. Criminosos invadiram o prédio e levaram oito computadores. O mais preocupante não foi apenas o furto, mas o silêncio que veio depois. Sem grande repercussão e sem respostas que tranquilizassem a população, os criminosos voltaram dias depois e levaram o restante do patrimônio existente no local.
Na noite mais recente, o alvo foi a Igreja Universal, na Avenida ACM. Até o momento, não há informações oficiais sobre o que foi levado, mas a invasão reforça uma sequência de ocorrências que vem aumentando a sensação de vulnerabilidade.

Chama atenção o fato de que esses crimes aconteceram em locais centrais e bastante conhecidos da cidade. A Casa dos Conselhos fica em frente à residência do ex-vereador Lelo, pai do vereador Lau, enquanto a igreja é frequentada pela vice-prefeita. Evidentemente, isso não estabelece qualquer relação entre os fatos, mas demonstra que a criminalidade parece não escolher endereço nem proximidade de figuras públicas.
Outros episódios também servem de alerta. Na Praça João Cardoso, equipamentos de ar-condicionado de um prédio público já foram furtados diversas vezes, comprometendo o funcionamento dos serviços. E, mais recentemente, um homicídio em plena luz do dia, na Orla de Valença, voltou a assustar moradores e comerciantes.
Há poucos dias, o inspetor da Guarda Civil Municipal, Manoel, chamou a atenção para a necessidade de valorização e fortalecimento da corporação. Logo depois, foi anunciado um aguardado concurso público para ampliar o efetivo, uma medida importante e necessária. Da mesma forma, Valença conquistou a elevação da antiga Companhia Independente para Batalhão da Polícia Militar, um avanço que representa mais estrutura, maior efetivo e melhores condições para o policiamento ostensivo.
Entretanto, a realidade ainda demonstra que há desafios importantes a serem superados. Um exemplo é a própria Guarda Civil Municipal, que atualmente realiza patrulhamento utilizando um veículo sem identificação visual da corporação. Pode parecer um detalhe, mas não é. A ostensividade é um dos pilares da prevenção ao crime. A presença visível das forças de segurança transmite confiança à população e inibe a ação criminosa. Quando falta estrutura até para isso, a sensação de proteção também acaba sendo reduzida.
Não se trata de apontar culpados ou desmerecer o trabalho da Polícia Militar, da Polícia Civil ou da Guarda Municipal. Os profissionais da segurança pública enfrentam diariamente uma realidade complexa e, muitas vezes, com limitações de recursos. O que não podemos é aceitar que furtos, roubos, invasões e homicídios passem a ser vistos como acontecimentos comuns.
Existe uma metáfora que resume bem esse momento: quando o cadeado passa a ser mais importante que a porta, é porque a sensação de segurança já foi embora há muito tempo.
Se nada mudar, Valença corre o risco de se tornar, ironicamente, a cidade mais vigiada da Bahia. Não porque haverá mais policiais nas ruas, mas porque cada morador será obrigado a instalar câmeras, cercas elétricas e sistemas de monitoramento em suas casas e comércios para tentar suprir aquilo que deveria ser garantido pelo Estado: a tranquilidade de viver sem medo.
A população não espera milagres. Espera ações concretas, presença nas ruas, prevenção, inteligência e resposta rápida aos crimes. Mais do que notas oficiais e promessas para o futuro, Valença precisa recuperar algo que não pode ser medido por estatísticas: a confiança de que as pessoas podem sair de casa, trabalhar e voltar para suas famílias com a sensação de segurança que toda cidade merece.




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