Vice-prefeita ou “prefeita paralela”? A movimentação de Lorena Mercês que chama atenção em Valença
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- há 2 dias
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Partindo do princípio de que o papel constitucional do vice-prefeito é, em regra, discreto e condicionado à delegação do prefeito, o que vem acontecendo em Valença nos últimos meses desperta curiosidade, debate e, claro, especulações políticas.
A vice-prefeita Lorena Mercês não é um nome qualquer na história política da cidade. Ex-vereadora, construiu sua imagem pública marcada pela firmeza, fiscalização e atuação combativa no Legislativo municipal — características que lhe renderam reconhecimento e admiração em seu mandato. Posteriormente, passou pela Secretaria Municipal de Educação no governo Jairo Baptista, embora sua permanência tenha sido curta, reflexo do ambiente político turbulento da época.
Em determinado momento, Lorena chegou a despontar como forte pré-candidata à Prefeitura de Valença, sendo vista por muitos como um nome competitivo. Filiada ao Partido Verde (PV) e membro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), acabou recuando da disputa majoritária e integrando a chapa de Marcos Medrado, hoje prefeito do município, como candidata a vice.
No primeiro ano da gestão, porém, o que se comentava nos bastidores — e também nas ruas — era um possível esfriamento da relação política entre prefeito e vice. Lorena passou a aparecer pouco em inaugurações, atos públicos e eventos institucionais. Para muitos, parecia “apagada”, fora do centro das decisões e distante da rotina administrativa.
Esse cenário começa a mudar de forma visível a partir do início de janeiro de 2026.
Naquele período, bispos e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, entre eles o Bispo Guaracy Santos, realizaram uma visita institucional à Prefeitura de Valença. O encontro, ocorrido por volta do dia 6 de janeiro, teve como objetivo declarado o fortalecimento do diálogo entre instituições, a promoção da convivência harmoniosa e um ato simbólico de “bênção” à cidade e aos seus representantes no início do novo ano.
A comitiva foi recebida pela vice-prefeita Lorena Mercês, ao lado de outros integrantes do Executivo. O momento foi amplamente divulgado nas redes sociais da igreja e também repercutiu nos canais institucionais, sendo apresentado como um gesto de valorização da fé e da liberdade religiosa. Além da Prefeitura, os líderes religiosos também cumpriram agenda na Câmara Municipal de Valença, reforçando a presença da IURD no cenário político local naquele início de ano.
A partir daí, algo muda.
Nos meses seguintes, a vice-prefeita passa a ter atuação intensa nas redes sociais, com discursos firmes, cobranças públicas, fiscalização de serviços, visitas a comunidades e posicionamentos que lembram — e muito — o perfil da vereadora Lorena Mercês de outros tempos. Para alguns observadores, chega a soar como uma espécie de “prefeita paralela”. Para outros, parece que Lorena voltou a exercer o papel de vereadora atuante, fiscalizando e cobrando o próprio governo do qual faz parte.
O que está acontecendo de fato? Não há, até aqui, uma resposta objetiva.
Pode ter havido uma cobrança por maior protagonismo político, vinda de lideranças religiosas influentes. Pode ser um reposicionamento estratégico pessoal, mirando desde já o cenário eleitoral de 2028. Pode ser, ainda, uma tentativa legítima de exercer um mandato de vice de forma mais ativa, rompendo com o padrão historicamente passivo do cargo. Ou pode ser tudo isso ao mesmo tempo.
O que é inegável é que não se trata de um comportamento comum para um vice-prefeito, sobretudo em uma gestão onde, no início, se falava em distanciamento político. A movimentação chama atenção, gera comentários e alimenta leituras diversas nos bastidores da política valenciana.
Na política, como se sabe, nada é estático. Os aliados de hoje podem ser os adversários de amanhã. Os silêncios podem virar discursos. E os coadjuvantes podem, de repente, ocupar o centro do palco.
Quem observa atentamente os passos e a postura de Lorena Mercês percebe que há algo em curso. O que exatamente isso representa — fortalecimento da gestão, ensaio de independência ou preparação para voos mais altos — só o tempo dirá.
Como diz o velho ditado da política: quem viver, verá. Ou talvez… já estejamos vendo.
Edmais FM – Informação com análise, opinião e olhar atento sobre a política local.











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