Vereador Joglas provoca revolta no setor marítimo após fala polêmica sobre crise no turismo de Morro de São Paulo
- 8 de mai.
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No lugar de apresentar soluções concretas para fortalecer o turismo no arquipélago de Cairu, mais uma vez o debate público foi tomado por declarações polêmicas e sem responsabilidade.
Durante a sessão da Câmara Municipal da última quinta-feira (7), o vereador Joglas provocou forte reação ao relacionar a queda do fluxo turístico de Morro de São Paulo às condições de algumas embarcações que fazem o transporte marítimo. Em sua fala, o edil citou estofados rasgados, lonas danificadas e problemas estruturais como fatores que estariam afastando visitantes.
A declaração caiu como uma bomba entre marinheiros, permissionários e integrantes da ASTRAM, associação responsável pelo transporte marítimo na região. O episódio ganhou rápida repercussão entre trabalhadores do setor e moradores do arquipélago.
O caso gerou ainda mais repercussão pelo fato de integrantes do próprio Legislativo possuírem ligação direta com o sistema marítimo local. O atual presidente da Câmara, conhecido como Pikui, já foi vice-presidente da ASTRAM e possui embarcações operando nas linhas do arquipélago. Outros parlamentares também mantêm vínculos com o setor.
Em resposta às críticas, o presidente da ASTRAM, Márcio Elexias, afirmou que a entidade vem segurando reajustes há cerca de dois anos justamente para evitar impactos maiores sobre moradores e turistas. Segundo ele, atualmente existem cerca de 140 embarcações em operação, sendo que aproximadamente 10 passam por manutenção em estofados — situação considerada natural diante da rotina intensa de uso.
Márcio também destacou os valores atuais das tarifas: R$ 40 na lancha rápida e R$ 23 no barco convencional. Ele esclareceu ainda que a taxa de embarque já está inclusa nas passagens para quem sai de Valença, sendo cobrada separadamente apenas para passageiros que embarcam no atracadouro do Bom Jardim.
Após a repercussão negativa, o vereador Joglas publicou vídeo tentando minimizar a situação, alegando que não responsabilizou a ASTRAM nem atribuiu diretamente à associação a queda do turismo em Morro de São Paulo. Porém, para muitos trabalhadores do setor, o desgaste político e institucional já estava feito.
Nas redes sociais e grupos de marinheiros, as reações foram imediatas. Moradores passaram a questionar a postura do parlamentar, lembrando inclusive embarcações ligadas ao próprio vereador que já prestaram serviços ao município em condições criticadas pela própria população.
O episódio escancara mais uma vez um problema recorrente na política local: discursos lançados sem responsabilidade, sem dados concretos e sem planejamento acabam gerando desgaste em um dos setores mais importantes da economia do arquipélago. Enquanto isso, problemas históricos ligados à infraestrutura, mobilidade, promoção turística e organização do destino seguem sem enfrentamento efetivo.
NOTA DA ASTRAM





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