Oito anos de água só até as 13h: até quando Igrapiúna continuará sem respostas?
- 4 de jul.
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Há aproximadamente oito anos, moradores de Igrapiúna convivem com uma realidade que já não pode ser tratada como normal: o abastecimento de água é interrompido diariamente por volta das 13 horas. Enquanto a população cobra explicações, o silêncio da Embasa, da empresa terceirizada Tubomills e das autoridades municipais aumenta a sensação de abandono.

Em qualquer município, a interrupção constante do abastecimento de água representa um problema grave. Em Igrapiúna, porém, essa situação deixou de ser um episódio isolado e passou a fazer parte da rotina da população. Todos os dias, milhares de moradores precisam reorganizar suas atividades porque, a partir do início da tarde, a água deixa de chegar às torneiras.
Segundo informações obtidas pela reportagem, o reservatório que abastece a cidade possui capacidade para atender a demanda durante as 24 horas. Especialistas consultados explicam que, em determinadas situações, é comum a adoção de rodízios em bairros específicos para equilibrar o sistema. No entanto, eles consideram incomum que praticamente toda uma cidade tenha o abastecimento interrompido diariamente, sem que haja uma explicação técnica amplamente divulgada.
A reportagem também ouviu um profissional ligado ao sistema de abastecimento de outro município, que classificou a situação como atípica e destacou que a população tem o direito de conhecer os motivos que justificam essa operação.
Até o momento, não foi apresentado um esclarecimento público que responda às principais dúvidas da população. A Embasa e a empresa terceirizada Tubomills, responsável por serviços operacionais no sistema, ainda não explicaram por que o abastecimento permanece limitado diariamente nem se existe previsão para a normalização do serviço.
O silêncio também alcança o meio político. Até agora, não houve um posicionamento público do prefeito Manuel Ribeiro, da Presidência da Câmara Municipal ou dos vereadores, tanto da base do governo quanto da oposição. E essa discussão não deveria ser tratada como disputa política. O acesso contínuo à água tratada é um serviço público essencial e um tema que interessa a todos os cidadãos.
Mais preocupante do que a interrupção do abastecimento é a crescente falta de confiança da população nas instituições. Muitos moradores afirmam que já não acreditam que suas reclamações produzirão mudanças. Quando o cidadão perde a esperança de ser ouvido, o problema deixa de ser apenas operacional e passa a atingir a própria relação de confiança entre a sociedade e o poder público.
Situação e oposição parecem dois lados da mesma ponte: observam o rio passar, enquanto a população continua tentando atravessar sem qualquer apoio. Diante de um problema que afeta toda a cidade, o silêncio coletivo não contribui para a solução e apenas aumenta a indignação dos moradores.
Após cerca de oito anos convivendo com essa realidade, Igrapiúna não precisa de discursos, promessas ou disputas políticas. Precisa de respostas, transparência e soluções. Se existem razões técnicas para a interrupção diária do abastecimento, elas devem ser apresentadas de forma clara. Se existem dificuldades estruturais, a população tem o direito de conhecê-las e de saber quais providências estão sendo adotadas.
A normalidade nunca pode ser a falta de água. Muito menos a falta de explicações.
A reportagem permanece à disposição da Embasa, da Tubomills, da Prefeitura de Igrapiúna e da Câmara Municipal para publicar seus esclarecimentos, em respeito ao direito ao contraditório e ao compromisso com a informação.





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