Moradores e fiéis fazem vaquinha para reforma da histórica Igreja de São Francisco Xavier, no Galeão

Patrimônio religioso e histórico de Cairu, templo construído no século XVII está localizado em um dos pontos mais privilegiados do arquipélago
Moradores, fiéis e pessoas ligadas à comunidade do Galeão, distrito de Cairu, estão se mobilizando para arrecadar recursos destinados à reforma da histórica Igreja de São Francisco Xavier. A iniciativa busca preservar um dos principais símbolos religiosos, culturais e históricos da comunidade.
Localizada no alto de um outeiro, a igreja ocupa uma posição estratégica e proporciona uma das vistas mais privilegiadas da região. Do local é possível contemplar áreas do Canal de Taperoá, Gamboa, Morro de São Paulo, manguezais, Ponta do Curral e até a região de Valença.
A história do templo se confunde com a própria formação do Galeão. Segundo registros publicados pela Prefeitura de Cairu, a Igreja de São Francisco Xavier foi construída em 1626, pelos herdeiros de Domingos da Fonseca Saraiva, família ligada à formação de importantes núcleos de povoamento do arquipélago.
A construção aconteceu poucas décadas depois da chegada dos colonizadores à região e apenas quatro anos após a canonização de São Francisco Xavier, realizada pelo papa Gregório XV. Naquele período, parte das terras do arquipélago estava ligada à Companhia de Jesus, da qual Francisco Xavier foi um dos fundadores.
Pesquisas acadêmicas sobre o Galeão reforçam a importância histórica do local. Estudos arqueológicos identificaram vestígios de antigas estruturas próximas ao morro onde está situada a igreja, indicando que a ocupação daquela área pode ser ainda mais antiga do que a própria construção do templo. A região é apontada por pesquisadores como um verdadeiro sítio arqueológico a céu aberto, marcado pela presença indígena, pela colonização, pelos jesuítas e pela formação de comunidades quilombolas.
Ao longo de aproximadamente quatro séculos, a Igreja de São Francisco Xavier tornou-se muito mais do que um espaço destinado às celebrações religiosas. O templo passou a fazer parte da identidade do Galeão e da memória de gerações de moradores.
As celebrações em homenagem ao santo também continuam reunindo a comunidade. Em 2023, por exemplo, o Galeão realizou missa solene, batizados e procissão em homenagem a São Francisco Xavier, reunindo moradores e filhos da terra que retornam à comunidade para participar das festividades.
Agora, diante da necessidade de manutenção e reforma, a comunidade recorre novamente à união dos moradores e fiéis. A vaquinha representa não apenas uma forma de arrecadar recursos, mas também um movimento pela preservação da memória de um patrimônio que atravessou séculos.
A mobilização mostra que, para os moradores do Galeão, cuidar da igreja é também cuidar da própria história.
Preservar a Igreja de São Francisco Xavier é preservar parte da memória de Cairu, do Galeão e da história do Baixo Sul da Bahia.
Fontes: Prefeitura Municipal de Cairu; Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP; pesquisas históricas sobre o Galeão e o patrimônio cultural da região.






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