ILHA GRANDE E MORRO DE SÃO PAULO: O QUE HÁ EM COMUM ENTRE AS NOVAS TAXAS TURÍSTICAS?
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A discussão sobre taxas turísticas voltou ao centro do debate em alguns dos mais importantes destinos do país. Em meio a esse cenário, a empresa CashPago, responsável por plataformas digitais utilizadas na gestão e arrecadação dessas cobranças em diferentes municípios, aparece ligada a modelos adotados tanto em Angra dos Reis (RJ) quanto em Cairu (BA).
Em Angra dos Reis, a cobrança da Taxa de Turismo Sustentável (TTS) em Ilha Grande passou a ser alvo de questionamentos analisados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Na Bahia, Morro de São Paulo convive com sucessivos reajustes da Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago (TUPA), enquanto Boipeba se prepara para adotar modelo semelhante.
Embora separados por centenas de quilômetros, os destinos compartilham uma mesma discussão: como garantir recursos para preservação ambiental e manutenção da infraestrutura sem afetar a competitividade turística e o fluxo de visitantes.
O caso de Ilha Grande
Em Angra dos Reis, a Taxa de Turismo Sustentável foi criada com o argumento de financiar ações de preservação ambiental e melhorias na infraestrutura local. O modelo, porém, passou a ser questionado por empresários e representantes do setor turístico, que manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre a atividade econômica.
O debate ganhou força após o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro solicitar esclarecimentos sobre aspectos relacionados à implantação e operacionalização da cobrança. O tema segue em análise pelos órgãos competentes.
No caso de Angra dos Reis, a operacionalização da Taxa de Turismo Sustentável ocorre por meio da plataforma Viva Angra, vinculada à empresa CashPago, fato que também passou a integrar os questionamentos analisados pelos órgãos de controle.
Morro de São Paulo e os reajustes da TUPA
Em Morro de São Paulo, a TUPA tornou-se uma das principais fontes de arrecadação voltadas para manutenção da infraestrutura e preservação ambiental do arquipélago.
Nos últimos anos, a tarifa passou por reajustes sucessivos e deverá alcançar R$ 90. O aumento tem gerado discussões entre empresários, comerciantes, pousadeiros e operadores turísticos, que acompanham com atenção os reflexos da cobrança sobre a competitividade do destino.
A Prefeitura de Cairu defende a importância da arrecadação para custear serviços públicos e preservar áreas de grande sensibilidade ambiental. Já representantes do setor turístico argumentam que o aumento constante dos custos para visitar o destino pode influenciar a decisão de parte dos visitantes.
Em Morro de São Paulo, a gestão digital da TUPA também é realizada por sistema operado pela CashPago, empresa que atua na administração tecnológica da cobrança e no processamento das informações relacionadas ao fluxo de visitantes.
Boipeba entra no debate
A discussão ganhou novos contornos com a confirmação da futura cobrança em Boipeba, considerada uma das ilhas mais preservadas do litoral baiano.
A expectativa é que o modelo siga princípios semelhantes aos já adotados em outros destinos turísticos que utilizam taxas de acesso para financiar conservação ambiental e melhorias estruturais.
A medida, no entanto, também levanta questionamentos sobre seus possíveis impactos para pequenos empreendedores e para a atividade turística local.
Com a expansão da cobrança para Boipeba, cresce a expectativa sobre qual será o modelo operacional adotado e se haverá aproveitamento das estruturas tecnológicas já utilizadas em outras localidades do município de Cairu.
Contratos e investimentos
Documentos públicos mostram que a implantação dos sistemas de gestão das taxas turísticas envolve contratos milionários, plataformas digitais de controle de visitantes e mecanismos de arrecadação cada vez mais sofisticados.
Em Cairu, por exemplo, a implantação do sistema de gestão da TUPA envolveu contrato superior a R$ 1,7 milhão, segundo documentos públicos disponíveis.
O desafio dos destinos turísticos
O avanço das taxas turísticas em diferentes regiões do país evidencia um desafio que cresce à medida que aumenta a pressão sobre destinos naturais: encontrar um equilíbrio entre preservação ambiental, investimentos em infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Enquanto gestores públicos defendem as cobranças como instrumentos para garantir sustentabilidade financeira e conservação dos destinos, empresários e representantes do setor turístico cobram transparência, avaliação dos resultados e estudos sobre os impactos econômicos gerados.
Além do debate sobre os valores cobrados dos visitantes, a discussão também envolve os modelos de gestão adotados pelos municípios, os contratos firmados para operacionalização das cobranças e os resultados efetivamente entregues em termos de infraestrutura, preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Nesse contexto, empresas especializadas em tecnologia para arrecadação turística, como a CashPago, acabam inseridas em um debate que ultrapassa a questão empresarial e alcança diretamente a política pública de gestão dos destinos turísticos.
Nota da Redação: A reportagem foi elaborada com base em documentos públicos, contratos administrativos, informações divulgadas por órgãos de controle e manifestações públicas de representantes do setor turístico. O espaço permanece aberto para manifestações da CashPago, das administrações municipais e de demais envolvidos sobre os temas abordados.




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