Hildécio Meireles evita relacionar taxa e custos às críticas enquanto Morro de São Paulo enfrenta questionamentos sobre competitividade
- 3 de mai.
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No encerramento de abril — mês marcado por três feriados nacionais consecutivos — destinos turísticos em todo o país registraram aumento significativo no fluxo de visitantes, impulsionando a economia local. No entanto, em Morro de São Paulo, um dos principais polos turísticos do litoral baiano, relatos de moradores e profissionais do setor indicam um cenário mais complexo do que o exibido nas redes sociais.
Apesar da alta visibilidade digital, com vídeos que somam milhões de visualizações e ampla repercussão, há percepções divergentes sobre o desempenho do destino. Parte dos relatos aponta desconforto no volume de visitantes, atribuindo a situação a fatores como o custo elevado da estadia e a taxa de acesso à ilha — temas recorrentes nas críticas de turistas.
Em resposta às discussões, o prefeito de Cairu, Hildécio Meireles, apresentou uma defesa baseada em indicadores e ações institucionais. Segundo ele, o período recente deve ser analisado considerando variáveis externas, como o cenário econômico nacional e as condições climáticas, destacando um verão marcado por chuvas. O gestor afirma que, mesmo diante desses fatores, houve crescimento de aproximadamente 8% no fluxo turístico nos três primeiros meses do ano, em comparação ao mesmo período anterior.
O prefeito também ressaltou medidas adotadas pela administração municipal, como o fortalecimento do Conselho Municipal de Turismo, a operacionalização do Fundo Municipal de Turismo e melhorias em áreas como coleta de resíduos e segurança pública. Para ele, o principal entrave estrutural segue sendo a acessibilidade ao destino, apontada como fator de desvantagem em relação a outros polos turísticos.
Ao abordar as críticas, Hildécio argumenta que há uma disputa de narrativas, sugerindo que interesses específicos estariam contribuindo para uma percepção negativa do destino. Ele contrapõe esse cenário ao de Itacaré, citado como exemplo de construção de imagem positiva
No entanto, chama atenção o fato de que, em nenhum momento, o gestor reconhece o valor da taxa de acesso — que, segundo discussões em curso, poderá sofrer novo reajuste — como possível fator de impacto na percepção negativa relatada por parte dos visitantes.
A divergência entre os dados oficiais e a percepção de parte da população e do trade turístico evidencia um debate mais amplo sobre gestão, posicionamento de mercado e competitividade. Em um contexto de alta exposição digital, a disputa entre narrativa e experiência concreta do visitante passa a desempenhar papel central na consolidação — ou desgaste — da imagem de destinos turísticos.













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