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Futebol valenciano em baixa: de celeiro de talentos à falta de continuidade

  • há 10 horas
  • 4 min de leitura


Valença tem tradição na formação de jogadores e chegou a dois vice-campeonatos do Intermunicipal, mas hoje enfrenta dificuldades para manter um calendário regular no futebol adulto e não vem participando da competição estadual com a mesma presença de outros períodos.


Valença já foi conhecida por revelar jogadores para o futebol profissional. A cidade que colocou talentos no cenário nacional e até internacional hoje vive uma realidade bem diferente: faltam continuidade, calendário e um projeto capaz de fortalecer o futebol local.


A decadência não aconteceu de uma hora para outra. É resultado de anos de interrupções, dificuldades de organização e da falta de uma sequência de competições que mantenha clubes e atletas em atividade.


A própria história da Liga Valenciana de Futebol, fundada em 1928, mostra a tradição que o município possui. A Seleção de Valença chegou a ser vice-campeã do Campeonato Intermunicipal em 1966 e 1999, marcas que ainda fazem parte da história do futebol baiano.


Uma cidade que revelou grandes jogadores


O passado explica a dimensão da perda.


Valença foi terra de jogadores que ultrapassaram os limites do futebol regional. Entre eles está Washington, conhecido como “Casal 20”, que fez história ao lado de Assis no Fluminense e também passou por Internacional e Atlético Paranaense.


Outro grande nome é Jorge Valença, apelido de Jorge Queiróz de Souza. Natural de Valença, o lateral-esquerdo teve uma trajetória importante no Atlético Mineiro. Pelo Galo, disputou 333 partidas e marcou 13 gols entre 1979 e 1987.


E há ainda Liédson, que nasceu em Cairu, mas se mudou ainda jovem para Valença, onde começou a construir sua trajetória no futebol. Antes de chegar ao futebol profissional, chegou a trabalhar como empacotador de supermercado. Posteriormente, ganhou destaque no futebol português, no Corinthians e em outros grandes clubes.


A Federação Bahiana de Futebol já classificou Valença como um “celeiro de craques”, citando justamente Liédson, Adriano Michael Jackson, Ademilton, Jorge Valença e Washington entre os nomes ligados à cidade.


O Campeonato Valenciano ainda existe, mas falta continuidade


É importante fazer uma ressalva: não é correto afirmar que o Campeonato Valenciano simplesmente acabou.


A competição foi realizada em 2024, em diferentes momentos. Em março, o Campeonato Valenciano teve abertura no Estádio Antônio Sereia, com realização da Prefeitura e da Liga Valenciana de Futebol.


Em novembro daquele mesmo ano, outra edição reuniu 13 equipes, entre elas Colômbia, Liverpool, Real Potosi, Palmeirinha, Goiás, Ponta D'Água, Comboeiro, Iningas, Isidoria, Valencinha, Bets, Tranqueira e Morada Nova.


Em 2025, houve também o Campeonato Valenciano de Futebol de Base, com categorias voltadas aos jovens atletas. A final aconteceu no Antônio Sereia e reuniu torcedores e equipes de formação.


Portanto, o problema não é a inexistência absoluta de competições.

O problema é outro: a falta de uma sequência regular e de um projeto permanente para o futebol adulto valenciano.


E a Seleção Valenciana?


A situação da Seleção de Valença é ainda mais simbólica.


A cidade possui uma história importante no Campeonato Intermunicipal, mas sua participação não tem sido contínua ao longo dos anos.


Em 2023, por exemplo, a Seleção Valenciana participou da competição e avançou de fase após empatar em 0 a 0 com Santo Antônio de Jesus.


Em 2019, também há registro da equipe disputando a segunda fase do Intermunicipal, enfrentando Ibirapitanga.


Em outros períodos, porém, a cidade ficou fora da competição. Em 2015, inclusive, moradores precisaram se mobilizar para tentar garantir a participação de Valença no Intermunicipal daquele ano.


Esse histórico demonstra justamente a falta de continuidade.


Enquanto o futebol oficial perde força, os campos continuam cheios


Apesar das dificuldades, seria injusto dizer que o futebol morreu em Valença.


Ele continua vivo nos bairros, nos campos, nas comunidades e, principalmente, nas competições organizadas por iniciativa de grupos e entidades locais.


É nesse cenário que ganham importância campeonatos como o Rodão da AABB e as competições da Arena Cecê.


São iniciativas que mantêm jogadores em atividade e ajudam a preservar a paixão pelo esporte.


Mas não deveriam ser as únicas alternativas.


Uma cidade com a tradição futebolística de Valença precisa de um calendário esportivo que vá além de competições isoladas.


O que falta ao futebol valenciano?


O debate precisa ir além de perguntar quem será o próximo campeão.


É necessário discutir estrutura, formação e continuidade.


Valença precisa fortalecer suas categorias de base, oferecer melhores condições aos campos, incentivar os clubes, valorizar treinadores e criar mecanismos para descobrir e acompanhar novos talentos.


Também é necessário discutir o papel da Liga Valenciana, do poder público, dos clubes, empresários e da iniciativa privada.


Porque o exemplo do passado mostra que talento existe.


O que falta é criar novamente o caminho.


De Washington a Jorge Valença: onde estão os próximos craques?


Essa talvez seja a principal pergunta.


Se Valença já revelou Washington, Jorge Valença, Liédson, Ademilton e outros jogadores que chegaram ao futebol profissional, por que hoje é tão difícil encontrar uma estrutura capaz de conduzir novos talentos?


Não se trata apenas de nostalgia.


Trata-se de discutir o futuro do esporte no município.


Os campeonatos de base mostram que existem jovens interessados. Os torneios independentes mostram que existem jogadores. A história mostra que existe tradição.


O desafio é transformar tudo isso em política esportiva permanente.


Valença não precisa apenas de um campeonato de vez em quando.


Precisa de um calendário.

Precisa de projeto.

Precisa de formação.

Precisa de continuidade.


E, principalmente, precisa voltar a acreditar que dos seus campos pode sair o próximo grande jogador.


O futebol valenciano não acabou. Mas está pedindo socorro.

 
 
 

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A julgar pelos seus quase 20 anos de existência, a rádio EDMAIS FM WEB tem muito o que contar acerca de sua história. Mas, resumidamente, nasceu de um sonho de seu proprietário, o radialista Cláudio Cacau, de criar uma emissora no ainda pouco explorado mundo da internet.

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