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A nova “Cracolândia” de Valença: feridas abertas no coração da cidade

  • edmaisfmsite
  • 26 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura


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Valença ainda tenta cicatrizar feridas que insistem em se reabrir. É evidente que problemas sociais complexos não se resolvem do dia para a noite. No entanto, o que se vê hoje, de forma escancarada, nas ruas da cidade — sobretudo na Orla de Valença, ou no que restou da antiga orla — ultrapassa os limites da normalidade e da tolerância social.

Valencianos, turistas e famílias são diariamente confrontados com cenas que antes pareciam distantes, vistas apenas nos noticiários nacionais. Hoje, estão aqui, à luz do dia, à noite e, de forma ainda mais grave, nas madrugadas. Usuários de crack, dependentes do álcool e andarilhos que chegam em maior número durante o verão transformaram espaços públicos em pontos de consumo de drogas, improvisando moradias e até “cozinhas” a céu aberto dentro de quiosques inacabados. O cenário é marcado por degradação, insalubridade, mau cheiro e, sobretudo, dor humana.

O mais chocante, porém, é ouvir perguntas simples e sinceras vindas das crianças: “Por que eles estão aqui?” Uma pergunta que expõe a falência das respostas do poder público.

É preciso deixar claro: esta não é uma matéria em busca de curtidas, engajamento ou visualizações. Trata-se de um alerta, um clamor e uma cobrança direta àqueles que foram eleitos ou designados para defender a cidade e sua população. Vereadores, prefeito, secretarias responsáveis — especialmente a Ação Social —, forças policiais em todas as esferas e a Guarda Civil Municipal precisam assumir suas responsabilidades. A GCM, em particular, enfrenta sérias limitações de efetivo e estrutura, o que evidencia o abandono institucional de um órgão que deveria estar na linha de frente da proteção dos espaços públicos.

Estamos falando de pessoas doentes, vítimas de uma sociedade adoecida pelo consumo, pela desigualdade e pela indiferença. Mas também estamos falando de uma cidade que perde sua dignidade, seu potencial turístico e, principalmente, o direito básico de seus cidadãos ao uso seguro e digno dos espaços urbanos.

Fica aqui o apelo à nova gestão: é preciso agir. Não se trata de repressão cega, mas de políticas públicas sérias, integradas e humanas — acolhimento, tratamento, assistência social e ordem urbana. Que ao menos essas cenas sejam retiradas do centro da cidade, preservando o convívio social e a imagem de Valença.

Peço misericórdia, primeiramente a Deus, e aos homens e instituições que detêm poder de decisão. Que essa vergonha escancarada seja enfrentada com responsabilidade, coragem e humanidade.

Porque, sim, como cidadão, eu tenho vergonha.



 
 
 

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