A melancólica despedida de um dos maiores da sua geração
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Hildécio Meireles sempre foi um gestor inconteste. Duro com as coisas públicas, fiel aos seus eleitores e cumpridor da palavra. Essa reputação foi construída desde o seu primeiro mandato, em 1992, quando consolidou a imagem de administrador firme e politicamente habilidoso.
Mas o tempo também governa.
Agora, no seu último e quinto mandato, Hildécio dá sinais claros de desânimo e desgaste. Um desgaste que não decorre apenas da sucessão de mandatos, mas do próprio modelo de governar, que parece ter perdido fôlego diante das novas exigências administrativas e políticas.
Fornecedores atrasados, cargos de nomeação sem necessidade evidente, inchando a máquina pública, perda de controle da burocracia interna e críticas que ecoam em diversos setores da sociedade. O que antes era referência de firmeza passa a ser alvo de questionamentos, não apenas no âmbito local, mas também na esfera regional e nacional.
E os reflexos mais visíveis aparecem no turismo, principal motor econômico do arquipélago.
As medidas adotadas no Réveillon de Morro de São Paulo 2025-2026, consideradas por muitos como antitrabalhador, o chamado mini Carnaval da Gamboa 2026, a infraestrutura das estradas e a baixa procura refletida na quantidade de leitos ociosos contribuíram para transformar o gestor em persona non grata em parte significativa da própria comunidade.
Morro de São Paulo, outrora sinônimo de efervescência, noites vibrantes e grandes eventos, hoje experimenta um silêncio incomum. Por escolhas administrativas que beneficiaram familiares e restringiram a dinâmica tradicional do destino, o que era palco de encontros se tornou, para muitos, um deserto noturno. E isso se traduz em números: queda na procura e perda de protagonismo para destinos como Itacaré e Barra Grande, na região Sul da Bahia.
Some-se a isso o aumento sucessivo da TUPA, taxa cobrada dos visitantes, que não encontra correspondência clara na estrutura oferecida nem em uma estratégia consistente de sustentabilidade e promoção turística. A ausência de uma política eficaz de difusão de Morro de São Paulo e Boipeba para o Brasil e para o mundo amplia o sentimento de estagnação.
Ainda assim, é preciso reconhecer: Hildécio Meireles possui capacidade técnica e política para reagir. Sua trajetória demonstra habilidade de articulação e resiliência. Mas será necessário um freio de arrumação. Uma reorganização interna que corrija equívocos, reverta desgastes e recupere a confiança.
Caso contrário, os efeitos desse momento podem ultrapassar a gestão municipal e respingar diretamente na campanha de seu filho à Assembleia Legislativa da Bahia.
A história política raramente termina de forma abrupta. Ela se redesenha. E talvez este seja o momento decisivo para definir se este ciclo será lembrado como um crepúsculo inevitável ou como uma última virada estratégica.











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